2.ª Tertúlia Filosófica – EPCV (TF-EPCV)
Democracia e Instituições Políticas – O Papel dos Jovens
No dia 25 de fevereiro de 2025, o Auditório da Escola foi palco da 2.ª Tertúlia Filosófica – EPCV (TF-EPCV), um encontro de reflexão crítica e participação cívica que reuniu a Direção da Escola, representada pelos subdiretores Sónia Mordido e Francisco Grácio, docentes, alunos do ensino secundário e convidados, num ambiente de diálogo plural e exigência intelectual.
Sob o tema “Democracia e Instituições Políticas – O Papel dos Jovens”, a tertúlia desafiou a comunidade educativa a pensar criticamente a questão orientadora “É possível reinventar a democracia para o século XXI?”, promovendo uma abordagem integrada entre conhecimento histórico, análise política e reflexão ética.
O programa estruturou-se em três comunicações centrais, que enquadraram e enriqueceram o debate:
· A primeira comunicação, “Perspetiva histórica do desenvolvimento da Democracia”, apresentada por Francisco Grácio, subdiretor da EPCV e professor de História, ofereceu uma leitura rigorosa da evolução histórica da democracia, evidenciando os seus avanços, fragilidades e desafios estruturais.
· A segunda comunicação, “Um olhar sobre o estado da Democracia em Cabo Verde”, esteve a cargo da Dra. Lígia Dias Fonseca, advogada, figura de reconhecido mérito cívico e institucional, que assumiu um papel de especial relevância enquanto oradora principal. A partir de uma perspetiva simultaneamente histórica e vivencial, a oradora apresentou a evolução do sistema político cabo-verdiano desde a independência até à atualidade, testemunhando, na primeira pessoa, a sua participação ativa na construção e consolidação da democracia em Cabo Verde. A clareza, profundidade e autoridade do seu discurso constituíram um momento alto da tertúlia, inspirando os jovens a assumirem uma cidadania consciente, responsável e comprometida.
· A terceira comunicação, “Justiça equitativa e o Inter-munthu como meios para a consolidação da Democracia”, proferida por Ernesto Hoguane, professor de Filosofia, desenvolveu uma reflexão filosófica sobre a evolução do conceito de justiça desde a Antiguidade Clássica até à contemporaneidade, estabelecendo um diálogo fecundo entre a teoria da justiça equitativa de John Rawls, a ética africana do Ubuntu e o conceito de Inter-munthu, enquanto fundamentos éticos de uma democracia inclusiva e humanizadora.
Um dos momentos mais significativos da tertúlia foi o debate, no qual os alunos assumiram um papel ativo, intervindo de forma crítica, colocando questões pertinentes aos oradores e exercitando a argumentação fundamentada, a escuta ativa e o respeito pela diversidade de perspetivas. Este envolvimento dos estudantes confirmou a tertúlia filosófica como um dispositivo pedagógico privilegiado de educação para a cidadania democrática, em plena consonância com os objetivos do Projeto TF-EPCV.
A Filosofia, enquanto prática crítica, espaço de problematização e caminho de emancipação, afirmou-se, assim, como essencial num tempo marcado por incertezas, crises de governação e profundas transformações sociais. A 2.ª Tertúlia Filosófica – EPCV consolidou-se como um espaço institucional de diálogo e construção de sentido, onde se cultivam valores democráticos, se fortalece o pensamento crítico e se reafirma a dignidade humana como fundamento último de toda a convivência ética e política.
AUTOR:
Ernesto Hoguane, Professor de Filosofia
